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Acrimat
Edição 8 - Ano 1 - 22 de Julho de 2009

CRISE DOS FRIGORÍFICOS

Independência quer pagar dívidas inferiores a R$ 80 mil

Estratégia quita débitos com 45% dos credores,
mas o volume maior da dívida permanece
 
Acrimat questiona
garantias da proposta

A diretoria da Acrimat alerta os pecuaristas que têm a receber do Frigorífico Independência para ficarem atentos e acompanharem as movimentações do processo de Recuperação Judicial. O plano apresentado pela empresa à Justiça prevê o pagamento imediato aos credores com crédito de até R$ 80 mil – o que significaria 45% de todos os credores do frigorífico.

“É uma estratégia para quitar o maior número possível de CPFs (Cadastros de Pessoas Físicas) possível, o que fortaleceria o frigorífico para a aprovação do Plano de Recuperação em assembléia”, observa o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Porém, em termos de valores, a dívida continuaria alta.

O presidente da Comissão de Produtores Credores de Frigoríficos em Recuperação Judicial e representante da Acrimat, Marcos da Rosa, faz outro alerta. “Fortalecendo-se para o processo de recuperação, o frigorífico pode retornar às atividades comerciais, porém sem termos a segurança necessária de que os compromissos seriam honrados. O pagamento das dívidas até R$ 80 mil permitiria que continuassem recebendo boi gordo suficiente para o abate, e assim trabalhariam pelos próximos três anos, até pagar os demais pecuaristas”, analisa.

Vacari questiona também as garantias do Frigorífico Independência. “Não há garantia de que não haverá novos calotes. No plano de recuperação, não foram apresentados argumentos indicando que a empresa tem capacidade financeira para honrar seus compromissos comerciais”, disse Luciano Vacari. Agora, após a apresentação da proposta do Independência, os pecuaristas habilitados têm um prazo de 30 dias para apresentar objeções ao plano.


99,72% dos pecuaristas
vacinam gado

Dados do Indea indicaram que a vacinação contra a febre aftosa realizada em maio em bovinos e bubalinos com até 24 meses de idade teve ótimos resultados. Dos 10.687.432 animais propensos à vacinação, 10.657.065 (99,72%) foram vacinados. O percentual é o mesmo registrado em 2008, reiterando o cuidado do pecuarista com a questão sanitária.



Em busca de consenso
sobre a Amazônia
Acrimat questiona moratória da carne
 
70% do rebanho estadual estão no bioma amazônico

Com a discussão sobre a “moratória da carne” – boicote por parte de supermercados e frigoríficos à carne bovina originada na região Amazônica – a Acrimat está agora buscando definir melhor o conceito de Amazônia Legal. A idéia é buscar um entendimento consensual com governo e entidades ambientalistas sobre as delimitações e a natureza da região.

“Temos que ter regras claras para todas as ações desenvolvidas na região amazônica. O que não podemos é incentivar a atividade produtiva e tempos depois mudar de idéia. E essas regras precisam de sustentação científica”, observa o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Acrimat, Vicente Falcão.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, das 26 milhões de cabeças bovinas de Mato Grosso, 18 milhões estão no bioma amazônico (ou seja, quase 70% do total). Nessa região há 71 mil propriedades e 29 indústrias frigoríficas, com capacidade de abate diário de 23,6 mil cabeças – atividade que gera 40 mil empregos diretos, 170 mil indiretos e 200 mil empregos induzidos (caminhoneiro, funcionário de açougue de supermercado, etc.).

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Jornalista responsável: Camila Bini (DRT 786/21/04/MT)