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Empresas buscam clientes de alta renda em MT

À primeira vista, Mato Grosso não é um destino convencional para o investimento privado. Distante 2 mil km do litoral, longe do eixo Rio-São Paulo, o estado tem população pequena (3,8 milhões de habitantes) e baixa densidade demográfica, o que pode indicar um potencial de consumo limitado. No entanto, quem atua com o segmento de alta renda enxerga um verdadeiro oásis no estado brasileiro que ocupa a região mais central da América do Sul.

Os bons indicadores econômicos estaduais se explicam pela liderança na produção de grãos, fibras e carnes. Mato Grosso tem sido fundamental para manter a balança comercial brasileira superavitária. É o segundo estado brasileiro em empregabilidade formal e se destaca na renda média das famílias na região Centro-Oeste, ficando atrás apenas de Brasília, capital federal. Mas o que realmente chama a atenção é o potencial consumidor daqueles que são os mais ricos do estado.

De 2017 a 2023, os rendimentos de 1% dos mato-grossenses mais ricos aumentaram 10,1%, passando de R$ 609.043 para R$ 1.577.514 no ano, conforme dados da Receita Federal Brasileira (RFB). Esse foi o maior aumento do país, superando os 3,9% da média nacional.

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Gilvania Rufino, líder da XP em Mato Grosso, conhece bem esse perfil. “Estamos falando de pessoas muito arrojadas em seus negócios, que estão no grupo de elite em suas atividades em âmbito mundial. Mas ainda predomina um perfil mais conservador, mais patrimonialista, principalmente quando falamos de investimento no mercado financeiro”, explica a executiva.

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Atualmente, Mato Grosso participa da bolsa de valores brasileira, a B3, com 80.537 investidores ativos – o que representa 2% da população estadual. O volume movimentado, no entanto, aumentou 12,64% no primeiro semestre deste ano. “O montante chegou a R$ 3,83 bilhões, dos quais 76% são movimentados por homens e 24% por mulheres”, informa a líder da XP.

O potencial do público de alta renda de Mato Grosso está no radar da XP, e não é de hoje. No final de abril, a companhia inaugurou sua sede própria em Cuiabá, num sinal claro de que o mercado é atrativo. Menos de 30 dias depois, foi a vez do grupo agro Bom Futuro começar a operação do Terminal de Aviação Executiva Luzia Maggi Scheffer. As novas instalações do aeroporto receberam o aporte de R$ 20 milhões, totalizando R$ 100 milhões investidos desde 2011.

Considerado o aeroporto executivo mais sofisticado do Centro-Oeste, o terminal fica a cerca de 10 minutos do Centro Político e Administrativo da capital. Com instalações de luxo, tem serviços de concierge, salas privativas, alojamento para pilotos, sala de cinema, academia e pontos de recarga para veículos elétricos. Com uma pista com 1.557 metros de comprimento e 30 metros de largura, o Aeroporto Bom Futuro realiza em torno de 6 mil voos por ano, atendendo aproximadamente 20 mil passageiros.

A busca pelo consumidor de alta renda não se restringe à capital, pelo contrário. “Temos que ir onde o investidor está. No caso de Mato Grosso, isso significa colocar o pé na estrada rumo ao interior”, brinca a líder da XP, Gilvânia Rufino.

Sorriso, Sinop, Rondonópolis e Primavera do Leste são algumas das ‘agrocidades’ que têm conciliado desenvolvimento agropecuário com aquecimento econômico, atraindo investimentos de empresas de fora de Mato Grosso, como é o caso da construtora Haacke, de Balneário Camboriú (SC). Com previsão para entrega em 2029, a empresa está construindo o Sky 360 Business Center em Sinop (que fica a 500 km ao norte de Cuiabá).

É o primeiro empreendimento da grife World Trade Center (WTC) no estado. O complexo, que já está sendo chamado de WTC do agro, consiste em uma torre comercial de 28 andares, um centro médico, torres residenciais e corporativas, além de espaços para negócios. Com R$ 1,5 bilhão de custo nas obras, o Sky 360 tem projeção de alcançar R$ 6 bilhões de valor geral de vendas (VGV) até o lançamento.

Outra grife do setor privado que chega a Mato Grosso é o Hospital Albert Einstein, que assume, agora em setembro, a gestão do Hospital Central de Alta Complexidade, do governo do estado. Apesar do serviço ser voltado a clientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o grupo já tem costurado parcerias com empresas e organizações do setor produtivo para uma atuação avançada em Cuiabá.