Pular para o conteúdo

Dialog

Bebê que nasceu pesando 535 gramas recebe alta do Hospital Santa Rosa após cinco meses na UTI

Das 40 semanas que deveria permanecer na barriga da mãe, a pequena Thuany só completou 23. Devido a um quadro de infecção ginecológica, Maraiza Almeida, mãe da bebê, precisou de um parto às pressas. Thuany nasceu no dia 19 de janeiro pesando apenas 535 gramas e se tornou o menor bebê dentre os nascidos no Hospital Santa Rosa.

“É um caso raro, não acontece todos os dias, não acontece em todos os lugares”, declarou a coordenadora da UTI neonatal do Hospital Santa Rosa, Paula Bumlai. Para se ter uma ideia, em 2021, o Guiness Book elegeu um bebê estadunidense de 21 semanas e 420 gramas como o menor prematuro a sobreviver no mundo. Estima-se que a chance de sobrevivência desse bebê era de menos de 1%.

Maraiza Almeida levava uma gestação normal até o segundo trimestre da gravidez. Devido à uma condição chamada incompetência istmo cervical — quando o útero não suporta o peso do bebê — a farmacêutica começou a ter contrações e apresentou dilatação. Os médicos conseguiram controlar o problema, mas, na sequência, Maraiza apresentou um quadro de infecção ginecológica. Com a infecção, também veio o reinício do trabalho de parto.

No Hospital Santa Rosa, a farmacêutica precisou dar à luz às pressas, no dia 19 de janeiro. Estava com 23 semanas, cerca de cinco meses de gravidez. Thuany nasceu de parto normal, pesando 535 gramas e foi imediatamente encaminhada para a UTI neonatal.

Na unidade, vários profissionais precisaram se envolver no tratamento para ajudar a salvar a vida da bebê. A médica Paula Bumlai relembra que foram necessários superar desafios com a nutrição, com o controle dos batimentos cardíacos e da função renal. Durante o período de internação, que durou quase seis meses, também foram empregados exames de laboratório e de imagem de última geração disponíveis no Hospital Santa Rosa.

“A gente trabalhou em conjunto com a ciência, com a tecnologia, com a família, com a fé e o hospital foi fundamental nesse processo porque esteve ao nosso lado quando apareceram problemas burocráticos”, declarou Bumlai.

Thuany Boaventura menor bebê prematuro hospital santa rosa

O apoio à família de Thuany não se limitou aos corredores da UTI. Durante todo o tempo que Maraiza frequentou diariamente o Santa Rosa, ela foi recebida, desde a porta da frente do hospital, por pessoas que acreditavam em um final feliz. É o caso da recepcionista Nilda Cristina Siqueira Costa, que atua na recepção central do Hospital Santa Rosa, se tornou amiga e conselheira da farmacêutica.“Sempre quando ela chegava aqui, eu falava para ela que a fé é o que move montanhas. No momento que a gente coloca nossa fé em ação, Deus também age. Eu sempre falava para ela que nós iríamos ver a Thuany sair aqui”, contou Nilda.

Para a recepcionista, a alta da bebê também é um retrato da união dos colaboradores do hospital. “A equipe trabalhou em união, deu o seu melhor. Quando você vê um caso que saiu daqui bem, para mim é uma coisa sensacional”, acrescentou.

O “xodó” da equipe da UTI neonatal deixou o Hospital Santa Rosa nos braços da mãe nesta segunda-feira (12). A alegria imensurável de Maraiza também foi compartilhada por dezenas de profissionais que não pouparam esforços para que esse dia chegasse.

Thuany saiu do hospital como uma ‘gigante’, como no nome do quadro onde ela foi homenageada, o “quadro dos gigantes” – um espaço dedicado a relembrar todos os pacientes que lutaram pela vida na UTI neonatal.

“A gente tem registro da Thuany com a mãe desde quando ela estava na incubadora e a gente não conseguia nem vê-la, quando ela ficava encoberta por uma nuvem de vapor porque tinha que estar úmido, quente. Tem registro da Thuany no colo da mãe respirando com ajuda de aparelhos. A Thuany no colo do pai dela quando foi pela primeira vez. A Thuany só com o cateterzinho do oxigênio no nariz e agora vamos colocar a foto da Thuany indo embora para casa”, comemorou a coordenadora da UTI neonatal, Paula Bumlai.

Para Maraiza, depois de enfrentar tantos dias difíceis sem perder a fé, o sentimento que fica é o de gratidão. “Eu só tenho a agradecer ao hospital todo apoio, toda ajuda, todos que de algum jeito colaboraram para que hoje a Thuany estivesse bem, saudável. Só tenho a agradecer tudo que fizeram por mim, tudo que fizeram por ela e só Deus vai poder recompensar cada um que ajudou com carinho, com palavras ou com ações”, comentou emocionada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *